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Poema de Márcio Rufino.





Eu quero todos os sonhos

Eu quero todas as ilusões

Eu quero todas as mentiras

Eu quero todas as ficções.



Que venham os reis

Que se intrometam as bruxas

Que apareçam as princezas

Que renasçam os magos.



Vamos brincar de tudo

Que aceitemos as verdades lúdicas

Que trespassam o insosso da realidade

E sejam elas de utilidade pública.



Que o pensamento seja a máquina do tempo

E o chão palco abençoado

Onde nós atores indisciplinados

Captemos ondas de gozo e burilamento



Os personagens que ainda não nasceram

Se despregaram um dos outros

Onde até então se roçavam nus e inconscientes.

Que eles tomem pensamento, corpo e roupa.

E partam para a ação intensamente.



Não os conheço, mas eles já gritam em meu ouvido

Querendo que eu lhes dê a luz com meus dedos e minha mente

E eu finjo que os ignoro, enlouquecendo-os

E eles me enlouquecendo num só gemido.



São piratas, prostitutas, imperadores,

Gays, padres e doutores.

Monstros, príncipes, bandidos,

Donas de casas, crianças e mendigos.

Anjos, duendes e anônimos,

Fadas, ninfas do bosque e demônios.

Malandros, homens sérios, falsos morenos,

Verdadeira louras, falsas virgens, nós mesmos.



Marcio Rufino





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Créditos da imagem: Olhares.com

"Pequena fantasia oriental" por José De Almeida

2 comentários:

  1. Esse é um poema lindíssimo. O querer é a melhor forma de conseguir realizar todos os desejos.Gostei muito do seu blog e ja estou te seguindo. Convido a conhecer meu blog, e se gostares me siga também. Um abraço e ótima semana

    Smareis

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  2. Um primor de poema. Que o pensamento seja a máquina do tempo
    E o chão palco abençoado. Abraço, e ótimo fim de semana. Smareis

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